Remédio originalmente indicado para controle do diabetes tipo 2 tem sido usado para emagrecer, mas a prática off-label gera preocupações com os efeitos colaterais e os riscos à saúde
Nos últimos anos, o nome “Ozempic” se popularizou não apenas em estudos de profissionais da saúde, mas também entre celebridades, influenciadores digitais e pessoas comuns que desejam perder peso de forma rápida.
Embora o medicamento tenha sido criado e aprovado para o tratamento do diabetes tipo 2, seu uso para fins estéticos se espalhou amplamente mesmo sem aprovação da Anvisa para esse fim – o que caracteriza o uso chamado “off-label”.
O problema é que, apesar dos evidentes resultados na balança, o uso indiscriminado do Ozempic pode trazer riscos à saúde que vão muito além dos efeitos colaterais comuns e já esperados.
Por isso, entender sobre o medicamento, como ele age no organismo e quais as consequências do uso fora da indicação médica é essencial para tomar decisões conscientes.
O que é o Ozempic?
O Ozempic é um medicamento à base de semaglutida, desenvolvido pelo laboratório dinamarquês Novo Nordisk. A substância pertence à classe dos agonistas do receptor, que imita a ação de um hormônio natural do corpo envolvido no controle da glicose e do apetite.
Sua principal indicação é para o tratamento de diabetes tipo 2 em adultos, especialmente quando o paciente não está respondendo bem a outras formas de tratamento.
Como o Ozempic age no organismo?
Ao ser administrado (geralmente por injeção subcutânea semanal), o Ozempic atua estimulando a secreção de insulina pelo pâncreas, reduzindo a produção de glucagon (que eleva os níveis de glicose no sangue) e retardando o esvaziamento gástrico.
A combinação desses efeitos ajudam a controlar os níveis de açúcar no sangue, além de promover uma sensação de saciedade prolongada – fator que contribui diretamente para a redução do apetite e, consequentemente, da ingestão calórica.
Por que ele passou a ser usado para emagrecimento?
A capacidade de reduzir o apetite e causar perda de peso de forma relativamente rápida despertou o interesse de muitas pessoas – inclusive das pessoas que não são diabéticas – em utilizar o Ozempic como medicação para emagrecimento. Estima-se que pessoas utilizando o medicamento por esse motivo possam perder entre 5% e 15% de peso corporal em poucos meses, dependendo da dosagem, alimentação e estilo de vida.
Essa tendência ganhou força nas redes sociais através de relatos de transformações corporais rápidas, o que impulsionou ainda mais a busca pelo medicamento e os altos índices de sua comercialização.
Entretanto, o Ozempic não é aprovado pela Anvisa para tratamento da obesidade, embora existam outros medicamentos com a mesma substância, como o Wegovy, que são indicados exclusivamente para esse objetivo.
Riscos e efeitos colaterais do uso off-label
Embora os resultados da balança sejam bastante atrativos, o uso do Ozempic para emagrecimento – especialmente sem qualquer prescrição médica – pode levar a efeitos adversos bastante sérios. Segundo a bula oficial e alertas emitidos por entidades como a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), os riscos incluem:
- Náuseas, vômitos e diarreia;
- Constipação intestinal e dores abdominais;
- Hipoglicemia (especialmente se o paciente não for diabético);
- Risco aumentado de pancreatite;
- Distúrbios gastrointestinais prolongados;
- Efeitos dermatológicos como alopecia e alterações na pele;
- Complicações renais;
- Efeito sanfona (reganho de peso após a interrupção do uso)
Um dos efeitos colaterais que mais chamou a atenção recentemente é a chamada “cabeça de Ozempic” – termo informal adotado para descrever a aparência de pessoas que ficam com o tamanho da cabeça desproporcional em relação ao corpo após a perda de massa muscular.
Além disso, como o medicamento precisa de prescrição médica e deve ser usado de forma contínua, seu custo elevado (em média R$ 800 a R$ 1.200 por caixa, para um mês) se torna, também, um grande desafio financeiro para quem busca usá-lo como estratégia permanente de emagrecimento.
O que dizem os especialistas?
A recomendação dos profissionais de saúde é que o uso do Ozempic deve seguir as indicações médicas e dos órgãos regulatórios, pois somente dessa maneira é possível garantir a segurança no tratamento e acompanhamento adequado de possíveis reações adversas no futuro.
Quando o objetivo é emagrecer, o mais indicado é buscar acompanhamento de um endocrinologista ou nutrólogo, que pode avaliar o perfil metabólico do paciente e indicar soluções mais seguras e personalizadas.
Há, inclusive, medicamentos próprios para obesidade aprovados e mais apropriados para esse fim.
Portanto, embora o Ozempic tenha se tornado uma febre entre quem busca emagrecimento rápido, é preciso lembrar que nenhum medicamento é isento de riscos – especialmente quando usado de forma inadequada.
A decisão de utilizá-lo deve sempre ser baseada na avaliação médica, identificando se existe uma real necessidade em sua utilização.




