Um homem de 60 anos substituiu sal por brometo após consultar inteligência artificial
A tecnologia avançada está presente em quase todos os aspectos da nossa vida atualmente. Assistentes virtuais, como a Alexa desenvolvida pela Amazon, respondem perguntas, ajudam com tarefas diárias, e até oferecem orientações rápidas sobre diversas tarefas. Mas quando se trata de saúde, seguir conselhos da inteligência artificial pode levar a consequências perigosas.
O caso de um homem de 60 anos, hospitalizado após substituir o sal pelo brometo recomendado pela IA, serve como um alerta categórico: a IA pode errar, especialmente em temas que exigem julgamento de um especialista clínico.
O caso que chamou atenção do mundo
Segundo a revista People, o paciente foi internado após experimentar bromismo – uma intoxicação por brometo – durante três meses. Ele relatou paranoias, alucinações, insônia e se sentia perseguido pelo vizinho, enquanto mantinha uma dieta que supostamente eliminaria o sal.
Possivelmente, o ChatGPT havia citado o brometo como substituto químico para cloreto, mas sem complementar com alertas de segurança, explicar o contexto do consumo humano ou citar contraindicações. Quando médicos refizeram a pergunta à IA, encontraram respostas parecidas, e novamente sem o devido cuidado com a informação clínica.
O bromismo é um mal antigo que pode voltar
O bromismo já foi comum no início do século XX, causando entre 5% e 10% das internações psiquiátricas. Hoje, casos como esse são raros, pois o brometo foi removido de medicamentos e dietas clínicas – com exceções em alguns casos.
Os sintomas típicos envolvem:
- Psiquiátricos: paranoia, confusão, alucinações, psicoses;
- Neurológicos: falta de coordenação motora e fraqueza;
- Dermatológicos: erupções na pele, acneiformes;
- Gastrointestinais: náuseas, constipação
O brometo se acumula no organismo de 9 a 12 dias e sua intoxicação exige, muitas vezes, hemodiálise urgente; em casos difíceis, mesmo após tratamento, sequelas neurológicas e psiquiátricas podem permanecer.
O que aconteceu com o paciente
O paciente viveu três meses ingerindo brometo no lugar do sal de cozinha após ler sobre possíveis riscos à saúde gerados pelo consumo do sal.
Nesse período, os sintomas começaram a se manifestar de forma preocupante. Além de alterações físicas, como o surgimento de acnes, insônia e fadiga extrema, ele desenvolveu um quadro de paranoia e passou a apresentar alucinações visuais e auditivas.
Em certo momento, chegou a acreditar que estava sendo envenenado pelo vizinho e, em meio ao delírio, tentou fugir do hospital, o que levou à necessidade de uma internação psiquiátrica compulsória.
Poucas horas depois, os exames laboratoriais revelaram o real motivo de sua condição: um quadro grave de bromismo, com concentrações de brometo mais de 100 vezes acima do limite considerado seguro. Diante deste diagnóstico, a equipe médica iniciou um tratamento imediato que envolveu a administração de soro, antipsicóticos e hidratação constante. Após três semanas de acompanhamento, o paciente recebeu alta hospitalar sem apresentar sequelas aparentes.
Por que isso ocorreu? Os perigos do diagnóstico com IA
Estudos demonstram que modelos como ChatGPT são sistemas sem senso crítico, contexto clínico ou capacidade de avaliar a segurança médica. Entender como e por que uma substituição de dieta foi solicitada requer acompanhamento de um profissional da medicina; não basta uma resposta genérica de uma inteligência artificial.
Além disso, há o fenômeno que ocorre quando usuários começam a atribuir conselhos confiáveis de saúde física e mental a bots, chegando a delírios e/ou dependência de suas orientações.
O papel da medicina e o limite da IA
Profissionais de saúde avaliam o paciente como um todo, considerando seu histórico, condições médicas, medicamentos, alergias e sintomas físicos. Também conseguem fazer perguntas críticas que a IA não faz, como “por que você quer substituir o sal?” ou “sua condição física justifica essa troca?”.
No caso do bromismo, um médico jamais indicaria brometo como substituto seguro – diferente de uma IA que ainda apenas reflete correlações de texto.
Lições urgentes para todos
- A IA pode auxiliar, mas não substituir: Use como ponto de partida, mas sempre consulte um médico antes de fazer mudanças;
- Busque fontes confiáveis: sites do Ministério da Saúde e outras organizações reconhecidas;
- Fique atento a sintomas físicos estranhos ou persistentes: Auto diagnósticos podem mascarar doenças graves;
- Seja cuidadoso com recomendações de IA sem contexto: Como substituir o sal por uma substância industrial. Isso só deveria acontecer sob prescrição médica.
O caso do bromismo como consequência de uma sugestão da IA nos lembra de algo essencial: saúde e ciência são áreas que exigem responsabilidade e formação por lidarem diariamente com a vida de outras pessoas.
Buscar qualidade de vida é importante, mas essa busca deve ser feita através de escolhas seguras e orientação médica.




